FESTA DE 3 ANOS DA EQUIPE KCTEROS NA BAGACEIRA
Parte da equipe
O ÚNICO BLOG A DISPONIBILIZAR VÍDEOS DE CANTORIAS E DECLAMAÇÕES DE POESIA NA INTERNET, A EQUIPE TAMBÉM É CULTURA! APROVEITEM A OPORTUNIDADE E COMENTEM AS FOTOS. UM ABRAÇO A TODOS OS KCTEROS E VISITANTES DO BLOG!! OBS: -->> PARA VER TODAS AS FOTOS VÁ EM ARCHIVES E CLIQUE NO MÊS, IRÃO APARECER TODAS AS FOTOS POSTADAS NAQUELE MÊS. aqui estão os vídeos http://www.youtube.com/view_play_list?p=C9BBF8C0E36DCE6F

Saudade
Patativa do Assar�
(Ant�nio Gon�alves da Silva)
Saudade dentro do peito
É qual fogo de monturo
Por fora tudo perfeito,
Por dentro fazendo furo.
Há dor que mata a pessoa
Sem dó e sem piedade,
Porém não há dor que doa
Como a dor de uma saudade.
Saudade é um aperreio
Pra quem na vida gozou,
é um grande saco cheio
Daquilo que já passou.
Saudade é canto magoado
No coração de quem sente
é como a voz do passado
Ecoando no presente.
A saudade é jardineira
Que planta em peito qualquer
Quando ela planta cegueira
No coração da mulher,
Fica tal qual a frieira
Quanto mais coça mais quer.
O alco e a gasolina
Patativa do Assaré
(Antônio Gonçalves da Silva)
Neste mundo de pecado
Ninguém qué vivê sozinho
Quem viaja acompanhado
Incurta mais o caminho
Tudo que no mundo existe
Se achando sozinho e triste,
O alco vivia só
Sem ninguém lhe querê bem
E a gasolina também
Vivia no caritó.
O alco tanto sofreu
Sua dura e triste sina
Até que um dia ofreceu
Seu amô a gasolina
Perguntou se ela queria
Ele em sua companhia,
Pois andava aperriado
Era grande o padecê
Não podia mais vivê
Sem companhêra ao seu lado.
Disse ela: dou-lhe a resposta
Mas fazendo uma proposta
Sei que de mim você gosta
E eu não lhe acho tão feio
Porém eu sou moça fina,
Sou a prenda gasolina
Bem recatada, granfina
E gosto muito de asseio.
Se você não é nogento
É grande o contentamento
E tarvez meu sofrimento
Da solidão eu arranque,
Nós não vamo nem casá
Do jeito que o mundo tá
Nós dois vamo é se juntá
E morá dentro do tanque.
Se quisé me acompanhá
No tanque vamo morá
E os apusento zelá
Com carinho e com amô,
Porém lhe dou um conseio
Não vá fazê papé feio
Quero limpeza e asseio
Dentro do carboradô.
Se o meu amô armeja
E andá comigo deseja,
É necessaro que seja
Limpo, zeladô e esperto,
Precisa se controlá,
Veja que eu sou minerá
E você é vegetá,
Será que isto vai dá certo?
Disse o alco: meu benzinho
Eu não quero é tá sozinho
Pra gozá do teu carinho
Todo sacrifiço faço,
Na nossa nova aliança
Disponha de confiança
Com a minha substança
Eu subo até no espaço.
Quero é sê feliz agora
Morá onde você mora
Andá pelo mundo afora
E a minha vida gozá,
Entre nós não há desorde
Basta que você concorde
Nós se junta com as orde
Da senhora Petrobá.
Tudo o alco prometia.
Queria por que queriá
Na Petrobá neste dia
Houve uma festa danada
A Petrobá ordenou
Um ao outro se entregou
E o querozene chorou
Vendo a parenta amigada.
Porém depois de algum dia
Começou grande narquia,
O que o alco prometia
Sem sentimento negou,
Fez uma ação traiçoêra
Com a sua companhêra
Fazendo a maió sugêra
Dentro do carboradô.
Fez o alco uma ruína
Prometeu a gasolina
Que seguia a diciprina
Mas não quis lhe obedecê
Como o cabra embriagado
Descuidado e deslêxado
Dêxava tudo melado,
Agúia, bóia e giclê.
A gasolina falava
E a ele aconceiava,
Mas o alco não ligava,
Inxia o saco a zomba
Lhe respondendo, eu não ligo,
Se achá que vivê comigo
Tá sendo grande castigo
Se quêxe da Petrobá.
E assim ele permanece
No carro a tudo aborrece,
Se a gasolina padece
O chofé também se atrasa
Hoje o alco veve assim
Do jeito do cabra ruim
Que bebe no butiquim
E vai vomitá na casa.
(mantida a grafia original)
Antônio Gonçalves da Silva, conhecido como Patativa do Assaré, nasceu numa pequena propriedade rural de seus pais em Serra de Santana, município de Assaré, no sul do Ceará, em 05-03-1909. Filho mais velho entre os cinco irmãos, começou a vida trabalhando na enxada. O fato de ter passado somente seis meses na escola não impediu que sua veia poética florescesse e o transformasse em um inspirado cantor de sua região, de sua vida e da vida de sua gente. Em reconhecimento a seu trabalho, que é admirado internacionalmente, foi agraciado, no Brasil, com o título de doutor "honoris causa" por universidades locais. Casou-se com D. Belinha, e foi pai de nove filhos. Publicou Inspiração Nordestina, em 1956. Cantos de Patativa, em 1966. Em 1970, Figueiredo Filho publicou seus poemas comentados Patativa do Assaré. Tem inúmeros folhetos de cordel e poemas publicados em revistas e jornais. Sua memória está preservada no centro da cidade de Assaré, num sobradão do século XIX que abriga o Memorial Patativa do Assaré. Em seu livro Cante lá que eu canto cá, Patativa afirma que o sertão enfrenta a fome, a dor e a miséria, e que "para ser poeta de vera é preciso ter sofrimento".
O poeta faleceu no dia 08/07/2002, aos 93 anos.
O texto acima foi extraído do livro "Ispinho e Fulô", editado pela Universidade Estadual do Ceará/Prefeitura Municipal de Assaré - 2001, pág. 264.
Marcadores: kcteros na bagaceira, PATATIVA DO ASSARÉ, poesia, poeta

Meu povo,
Cá pra nós, mas uma coisa que ninguém pode deixar de fazer nesse final de ano é perder a última edição da QUINTA DO CORDEL de 2006, promovido pela UNICORDEL-União dos Cordelistas de Pernambuco. Quem já conhece sabe como é bom e quem não sabe é bom ir tirar a prova. Andam dizendo por aí que até Papai Noel vai dar uma passadinha, mas temos nossa dúvida se esse velhinho importado vai fazer alguma falta por lá. Porque mesmo não tendo vez para Jingle Bells, certamente será uma noite feliz. Nada de oh-oh-oh-oh, mas muito ah-ah-ah-ah!!!!
Músicas e versos se unindo para uma noite de descontração e encantamento, com os cordelistas e seus convidados levando ao palco o gracejo e a crítica dos versos da poesia popular, falando de coisas do sertão, da cidade e de todo esse “mundo velho enganoso”. E ainda por cima, o recital deste mês será dedicado ao inesquecível Sivuca, grande baluarte da música nordestina, que nos deixou recentemente.
É nesta quinta-feira, dia 21-12-06, a partir das 20 horas, no Bar e Restaurante CABOCLO DE LANÇA, localizado na Av. Abdias de Carvalho (cruzamento com a Estrada dos Remédios e vizinho à Veneza Piscinas)-Madalena-Recife-PE. Informações pelos telefones 81-32277299 – 88459991 – 88965649 / 34411326
Você, que é amigo do cordel e/ou dos cordelistas, não pode faltar. Quem não for é “mulé do padre” e está confessando que aprova os 91% de aumento dos deputados.
Estamos lhe esperando.
MEU PAPAI NOEL DE CASA.
>> Dedé Monteiro<<
Os sinos tocam contentes
Aí papai Noel sai
Distribuindo presentes
Como se fosse outro pai
durante essa missão Sua
Soube rua desce rua
Sobe morro, Morro desce,
Palmilha todo terreno
Só meu casebre pequeno
Papai noel não conhece
É porque eu não conheço
Onde papai noel mora
Senão o meu endereço
Eu ia enviar-lhe agora
Escrevo um bilhetinho
Conto bem direitinho
onde fica meu chalé
se dizem que ele adivinha
porque só minha casinha
ele não sabe onde é
quer saber o que se dava
se papai fosse um ricasso
papai noel não errava
as grades do meu terraço
rondava a casa por fora
entrava fora de hora
e pela chaminé descia
e em silencio sorrindo
deixava um presente lindo
pegava o saco e saia
chaminé muito enfeitada
minha palhoça não tem
mas duma lata amassada
papai fez uma também
mas se o senhor entender
que ela não vai lhe caber
eu deixo aberta a janela
e se o senhor se cansar
e achar que não deve entrar
jogue o presente por ela
reclamando desse jeito
posso até estar errado
pois meu mucambo foi feito
num lugar muito atrasado
será que papai noel não passa
porque não tem luz nem praça
nem parque de diversão
esse papai noel nobre
não liga menino pobre
que vive de pe no chão
meu papai que é mais humano
este ano me falou
se Deus quiser para o ano
o seu presente eu mesmo dou
papai é homem de fato
não é papai de boato
como esse noel que atrasa
meu papai é tão fiel
que não há papai noel
como o que tenho tenho em
minha casa.
Carta a Papai noé
CHICO PEDROSA.
Seu moço, eu fui um garoto
infeliz na minha infança
vim saber q fui criança
já pula boca dus otos
só brinquei com os gafanhotos
que achava nos tabuleiro
dibaxo du juazeiro
cum minhas vaca de osso
essas porquera seu moço
q se arruma sem dinheiro.
quando eu via um gurizim
brincando de velocípede
de caminhão, de jipe
de bola, revolve, carrim
sentia dentro de mim
um disgosto q dava medo
ficava chupando dedo
e chorava o resto do dia
só pruque eu não pudia
pegar naqueles brinquedo.
perguntei certa vez
a uns filhos dum dotô
diga fazendo favô
quem dá isso pra vcs
respondeu logo os três
isso aqui é uns presente
qui a gente é inucente
vai durmi e as véz nem nota
aí, papai noé bota
perto da cama da gente.
fiquei naquilo pensando
inté o natá chegá
e na noite de natá
fui drumi alembrando
acordei e fiquei cassando
por onde tava deitado
seu moço fui enganado
pois de presente só tinha
de mijo uma poçinha
que eu mermo tinha mijado
Saí cum a bixiga preta
cassando os amigos meu
quando eles mostraram a eu
carro, caminhão carreta,
bola, revórve, corneta,
trem elétrico inté
boneco máquina de pé
eu não brinquei só fiz vê
resorvi aí escreve
uma carta a papai noé.
Papai noé é pecado
os otro le maltrata
mas eu vô li reclama
os troço que tá errado
aos fí dus deputado
o sinhô dá tanto carrim
mais o sinhô é muito ruim
que lá em casa num vai
pru certo não é meu pai
que não se lembra de mim.
já to certo q vc
só balança o povo seu
e um pobre cuma eu
o sinhô vê e faz q num vê
se o sinho vê
pruque lá em casa num vêm
o rancho que agente tem
é piqueno mais li cabe
será q o sinho num sabe
que pobre é gente também...
vc de roupa encarnada
colorida e fitinha
nunca reparou que a minha
esta toda remendada
seja mais meu camarada
preu num le chamar de ruim
nesse natá faça assim
dê menos ao "fio" do rico
de cada um tire um tico e
traga um presente pra mim
meu endereço eu vou dá-lhe:
a casa q eu moro nela
fica nakela favela
que o sr nunca foi lá
mas qdo o sinhô chegar e avistar um paioça
coberta com lona grossa
e uma porta de flandre
com 2 buracão bem grandes
pode bater q é a nossa
| UM POUCO DE COMÉDIA PARA OS VISITANTES "Carro Velho", de Quixeramobim (interior do Ceará), toma conta do microfone da Rádio 104 para tecer os mais variados elogios a Carlinhos Elói e toda a família Balbino. | |

A CANTORA IRAH CALDEIRA, FAZENDO UMA PARTICIPAÇÃO NO EVENTO CANTANDO LINDAS MÚSICAS.
O POETA VINÍCIUS GREGÓRIO, RECITANDO POESIAS DE SUA AUTORIA, E TAMBÉM FEZ HOMENAGEM A DEDÉ MONTEIRO DECLAMANDO POESIAS DO MESMO.
Poeta Antonio Marinho do Nascimento, declamando
Cícero, Nilo, e o poeta Vinicius Gregório(de azul), ao lado de poetas, entre eles o conterrâneo de Cícero e Nilo, de São José do Belmonte, o poeta FRANCINALDO OLIVEIRA(de preto).







Composição: Nonato Costa e Raimundo Nonato
Aqui trancado em meu quarto coração sangrando
Eu reavalio os estragos que vc me fez
Com minha auto-estima baixa
Ligando e passando mensagem
Eu não me vejo com coragem
De amar outra vez
Eu sei que sou culpado em parte
Mas toda vez que vc parte
É como se a dor do infarte
Partisse meu peito
Eu tento mudar mas não mudo
Em vez de iludir eu me iludo
Na vida tem jeito pra tudo e eu não tomo jeito
Sem armas estou matando o tempo
Para ver se vivo
O medo de encontrar vc eu escondo de mim
Caminho mas não tenho rumo
Até minha alma está perdida
Como é que eu recomeço a vida que vc deu fim
Eu sei que sou culpado em parte
Mas toda vez que vc parte
É como se a dor do infarte
Partisse meu peito
Eu tento mudar mas não mudo
Em vez de iludir eu me iludo
Na vida tem jeito pra tudo e eu não tomo jeito
As suas emoções de plástico mexeram comigo
Não posso sorrir como antes que a tristeza embarga
Aéreo e de rosto apagado me sinto sem céu e sem chão
E a droga do meu coração se não morrer me mata
Eu sei que sou culpado em parte
Mas toda vez que vc parte
É como se a dor do infarte
Partisse meu peito
Eu tento mudar mas não mudo
Em vez de iludir eu me iludo,
Na vida tem jeito pra tudo e eu não tomo jeito